Com sensibilidade e atenção ao detalhe, o fotógrafo Deyvison Justino compartilha seu olhar sobre o cotidiano de um violista — neste caso, o meu. As fotos capturam momentos de silêncio, de concentração, de esforço invisível. São fragmentos de um processo muitas vezes solitário.

Mais do que documentar uma rotina, este ensaio nos convida a contemplar a delicadeza do processo, o invisível que sustenta o visível.










Diferente do primeiro ensaio, realizado na intimidade da minha casa, o trabalho em estúdio nasceu como um deslocamento — um convite a sair do ambiente seguro e transformar a relação entre músico e instrumento em linguagem visual construída.

A proposta, desenvolvida para a disciplina de direção de arte, foi pensar cada elemento: a luz, o fundo, as cores, as texturas, as poses. Nada estava simplesmente à espera de ser fotografado. Cada escolha da intensidade da iluminação, à cor da roupa, fazia parte de uma narrativa sobre a conexão entre músico e música por meio da viola.

Se em casa o cotidiano se oferecia naturalmente à câmera, no estúdio foi preciso criar. Dirigir, experimentar, ajustar. O espaço neutro exigiu intenção. A imagem deixou de ser registro e passou a ser composição.

Este ensaio revela não apenas o instrumento, mas a construção simbólica dessa relação: o gesto, a escuta, o corpo em diálogo com o som. É um exercício de presença e consciência — onde o músico também se torna matéria plástica, luz e forma.







